No âmbito da iniciativa “10 Anos, 10 Histórias da Patinagem pelo Cartão Branco”, promovida pela Federação de Patinagem de Portugal, Ana Rita Santos Strecht é a protagonista da segunda história de fair play destacada pela FPP ao longo de 2026.

O episódio aconteceu a 8 de dezembro de 2024, em Fafe, durante o Torneio Inter-Regiões de Patinagem Artística – 100 Anos FPP.

Numa altura em que a equipa da AP Aveiro se encontrava na bancada a acompanhar a competição, um atleta da AP Porto sofreu uma avaria no equipamento durante o aquecimento para a sua prova, ao partir a base de um dos patins na execução de um salto.

Ao aperceber-se da situação, Ana Rita Santos Strecht, selecionadora da Associação de Patinagem de Aveiro, num impulso entrou de imediato ao rinque para prestar auxílio ao atleta.

Em simultâneo, solicitou a uma atleta da sua associação que disponibilizasse um dos seus patins, permitindo substituir rapidamente a peça danificada e garantindo que o atleta pudesse realizar a prova.

Num contexto marcado pela competição entre associações, a treinadora deixou de lado qualquer rivalidade desportiva para privilegiar aquilo que considerou ser mais importante: ajudar quem precisava naquele instante.

O gesto acabou por valer-lhe a atribuição do Cartão Branco: a atitude demonstrada por Ana Rita Santos Strecht constitui um exemplo dos valores que o Cartão Branco procura destacar, evidenciando que a competição e o espírito desportivo podem caminhar lado a lado.

Sobre o momento vivido, a treinadora admite ter sido surpreendida pelo reconhecimento:

“A atribuição do Cartão Branco acabou por me surpreender positivamente, porque o gesto surgiu de forma totalmente natural e espontânea. O foco nunca foi o reconhecimento, mas apenas ajudar alguém que precisava naquele instante”.

Ana Rita Santos Strecht recorda ainda que, quando foi chamada ao centro do rinque, pensou inicialmente que seria advertida pela entrada impulsiva em pista sem autorização. Contudo, o reconhecimento acabou por evidenciar a mensagem que considera mais importante transmitir aos jovens atletas.

“Trabalhamos diariamente com crianças e jovens e temos também a responsabilidade de formar caráter, transmitir valores, respeito, empatia e espírito desportivo. Competir é importante, mas nunca poderá ser mais importante do que saber ajudar o próximo”.

Para a treinadora, o orgulho demonstrado pelos atletas da Associação de Patinagem de Aveiro após o sucedido confirmou que são estes pequenos gestos que ajudam a construir o verdadeiro espírito do desporto.

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