A Federação de Patinagem de Portugal promoveu, no passado sábado, a segunda edição do Congresso da Patinagem, um encontro que voltou a reunir todas as disciplinas da Federação — Hóquei em Patins, Patinagem Artística, Patinagem de Velocidade, Skateboarding e Inline Freestyle — num espaço de partilha, reflexão e atualização de conhecimento técnico.

O evento decorreu no Auditório Agostinho da Silva da Universidade Lusófona, em Lisboa, e contou com a presença de cerca de uma centena de participantes, entre treinadores, dirigentes e atletas, além de representantes institucionais como Luís Sénica, presidente da Federação de Patinagem de Portugal, Jorge Proença, diretor da Faculdade de Educação Física e Desporto da Universidade Lusófona, Carla Alexandra Silva, vogal do Conselho Diretivo do IPDJ, Daniel Monteiro, presidente da Confederação do Desporto de Portugal, Vasco Costa, vice-presidente do Comité Olímpico de Portugal, e Pedro Dias, secretário de Estado do Desporto.

«Um espaço de encontro entre gerações e saberes»

Na abertura dos trabalhos, Luís Sénica destacou o Congresso como um momento essencial de partilha e crescimento coletivo: «A presença de todos é um sinal claro da importância que este Congresso tem para o futuro da nossa modalidade. Este é um momento de encontro entre gerações, entre saberes, entre experiências».

O presidente da FPP sublinhou ainda a importância da formação contínua lembrando que «ser treinador é estar em constante evolução. É reconhecer que a aprendizagem não termina com um diploma, ela começa aí».

Para o dirigente, «essa aprendizagem é mais necessária do que nunca num universo que conta com 997 treinadores ativos e 215 estagiários, que acompanham 19.936 atletas — o maior número de sempre» e enfatizou o momento atual em que «vivemos um ano de conquistas extraordinárias, muitas sem precedentes».

Luís Sénica destacou «o título mundial da jovem Madalena Costa e o histórico pleno de vitórias das seleções masculinas de hóquei em patins», referindo que «estes feitos são o reflexo de um sistema que evolui, de treinadores que se dedicam e de atletas que acreditam».

«Sentir a casa da patinagem na Lusófona»

Seguiu-se Jorge Proença, diretor da Faculdade de Educação Física e Desporto da Universidade Lusófona, que lembrou que este ano «completam-se 35 anos desde o início do nosso desafio na criação do primeiro curso privado de Educação Física e Desporto. Sintam-se em casa e tenham o maior sucesso para a patinagem portuguesa», disse

«Uma modalidade que cresce em todas as dimensões»

Daniel Monteiro, presidente da Confederação do Desporto de Portugal, enalteceu o crescimento sustentado da modalidade e o trabalho desenvolvido pelos seus agentes: «A patinagem tem vindo a crescer em números, em praticantes, em qualidade e em resultados. É sinal de que o trabalho está a ser bem feito».

O presidente da CDP reafirmou ainda o compromisso da Confederação: «quando o trabalho em particular nesta modalidade, é um trabalho positivo, intenso e com resultados, só traz mais responsabilidade a todos aqueles que no terreno também lutam para que existam melhores condições».

«Esse compromisso tem de existir não só da Confederação do Desporto de Portugal, como do Governo, como dos partidos políticos, dos grupos parlamentares e tem sido esse trabalho que tem vindo a ser feito, está a ser feito – agora com a discussão do Orçamento de Estado, e que vai continuar a ser feito nas próximas semanas, para que existam cada vez melhores condições para que o vosso trabalho seja também acompanhado das condições dignas para que possa ser feito com melhor intensidade e com melhor qualidade», acrescentou.

«Este é um compromisso para o qual lutamos diariamente e que tenho a certeza de que temos de estar ao vosso lado e ao vosso nível para que a Patinagem e o desporto nacional em geral continuem a crescer. É esse o meu compromisso convosco, é esse o meu compromisso com a federação», finalizou.

«Resultados históricos fruto de uma liderança sólida»

Na sua intervenção, Vasco Costa, vice-presidente do Comité Olímpico de Portugal, destacou o momento de sucesso vivido pela modalidade: «a Federação de Patinagem está num ano histórico, com conquistas em várias disciplinas. Estes resultados são fruto de uma liderança sólida, de uma equipa dedicada e de um trabalho consistente que muito orgulha o desporto português», frisou.

«A patinagem é uma família em crescimento»

O Secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, terminou a sessão de abertura do congresso com um elogio à iniciativa e destacou o papel unificador da patinagem: «Este Congresso é um espaço de excelência, de reflexão e partilha no universo da patinagem portuguesa. Todas as disciplinas partilham o mesmo espírito — o equilíbrio, o movimento, a criatividade e, acima de tudo, a paixão pelo desporto».

O governante sublinhou ainda o crescimento robusto da modalidade em todas as frentes: «a vossa família está a crescer — no número de praticantes, de treinadores, de clubes e de disciplinas. E, como consequência natural, em resultados desportivos de excelência».

Na ocasião, Pedro Dias deixou uma mensagem de futuro e de unidade: «Por cada pessoa que aprende a patinar, há um novo elemento na vossa família. É este o desígnio que vos define. O futuro da patinagem só pode ser construído com diálogo, partilha e conhecimento. Deixo aqui uma palavra de incentivo e de estímulo de especial reconhecimento à Federação de Patinagem de Portugal. O trabalho da vossa família, naturalmente um trabalho conjunto, tem dado um contributo importante ao desenvolvimento desportivo do nosso país».

Debate e partilha entre disciplinas

Após a sessão de abertura, o congresso iniciou-se com a palestra «Meios de Recuperação no Processo de Treino», apresentada pelo Professor João Pereira, da Universidade Lusófona.

Seguiram-se quatro painéis temáticos dedicados às diferentes disciplinas da Federação.

O primeiro painel, sobre Hóquei em Patins, abordou o tema «Plano de Carreira: Transição Formação–Competição» e contou com a participação do atleta internacional Ângelo Girão e do selecionador nacional da equipa sénior feminina, Ricardo Barreiros, sob a moderação de Nuno Ferrão (Diretor Técnico Nacional).

Durante a tarde, a Patinagem de Velocidade debateu a «Formação de Atletas: Fundistas vs Velocistas», com o selecionador nacional, Alípio Silva e Francisco Figueiredo, diretor técnico da disciplina.

Nos Desportos Urbanos, o tema «Metodologia de Treino: Aula vs Treino» foi discutido pela atleta e treinadora Leonor Alves, pelo skater e treinador João Neto, e moderado pelo treinador Pedro Silvestre.

O ciclo de painéis encerrou com a Patinagem Artística, e o tema «Preparação do Atleta para Competições Internacionais», com a atleta internacional e vice-presidente para a disciplina, Diana Ribeiro, a treinadora e formadora Susana Guerra, moderadas pela selecionadora nacional de Dança, Andreia Cardoso.

 

O professor Luís Gouveia partilhou, no final, as suas notas e resumiu a sua visão da jornada de trabalhos.

«Um congresso que reforça o valor da partilha»

No balanço final, Nuno Ferrão, fez uma avaliação muito positiva da segunda edição do Congresso da Patinagem: «O balanço é bastante positivo. Notou-se uma melhoria em relação à primeira edição. Este ano procurámos criar sinergias com os nossos parceiros, nomeadamente com a Universidade Lusófona, o que foi um excelente contributo, quer ao nível dos formadores, quer das instalações facultadas».

O DTN sublinhou ainda a relevância da presença institucional e da forte adesão à iniciativa: «a importância do congresso valida-se pela participação das entidades oficiais e pela presença dos formandos. Mostra a credibilidade e a valorização que a Patinagem tem a nível nacional», disse.

Quanto à dinâmica dos trabalhos, destacou o envolvimento ativo dos participantes e a pertinência dos temas: «os temas foram bastante relevantes e houve uma forte participação, com partilha de experiências e troca de conhecimentos. Um aspeto muito positivo foi perceber que os saberes de cada disciplina, apesar das suas especificidades, podem ter aplicação e transfer para as outras».

Nuno Ferrão concluiu afirmando o valor de iniciativas deste tipo: «Todos saímos satisfeitos e com vontade de repetir eventos que promovam o conhecimento, a amizade e as ligações entre disciplinas. É assim que continuamos a fazer crescer a patinagem portuguesa».

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