Realizou-se, de 2 a 4 de abril, em Tomar, a 1.ª Concentração Nacional de Patinagem Artística. No final deste primeiro momento de trabalho, a Federação de Patinagem de Portugal falou com o novo diretor técnico da disciplina e com as selecionadoras nacionais de Patinagem Livre e Dança, que fizeram um balanço dos treinos e abordaram as linhas orientadoras para a nova época.
Mário Lago | Diretor Técnico da Disciplina
De regresso à Federação de Patinagem de Portugal, Mário Lago assume funções como diretor técnico da Patinagem Artística, trazendo uma visão estratégica para o futuro da disciplina. Entre a experiência acumulada ao longo de décadas, juntamente com a experiência internacional desenvolvida, o responsável aponta caminhos para o desenvolvimento da modalidade.

FPP – É um regresso à Federação de Patinagem de Portugal. Que significado tem este momento?
ML – Sinto uma enorme satisfação em regressar à FPP. Foi aqui que me formei como atleta e onde consolidei a minha atual base profissional e pessoal.
O convite do professor Luís Sénica, que é para mim uma referência de liderança imparcial e de José Raimundo que muito respeito, demonstra uma total confiança, não só no trabalho que realizei enquanto estive nesta Federação, mas também nas competências que adquiri e consolidei internacionalmente, o que me motiva a retribuir tudo o que esta instituição me deu no início da minha carreira.
É um regresso a casa, sim, mas com uma bagagem que me permite olhar para ela com novos olhos.
FPP – Foi um sim imediato?
ML – Foi um sim bastante pensado como a responsabilidade o exige. Encontrava-me num projeto bastante sólido na Federação Alemã, mas o desafio de liderar a estratégia técnica da patinagem artística em Portugal onde ajudei no passado a construir os seus alicerces falou mais alto e faz todo o sentido.

FPP – Volta agora como Diretor Técnico da disciplina. O que representa este novo desafio?
ML – É um cargo diferente, com outro tipo de funções e com uma responsabilidade maior. Obriga-me a ter uma visão mais global e, sobretudo, uma visão de futuro. Não posso pensar apenas no imediato, tenho de pensar no que queremos para a Patinagem Artística daqui a cinco ou dez anos.
A minha formação académica e desportiva faz com que reúna um conjunto de competências que, bem articuladas, penso poderem dar um contributo importante. Promover uma total sinergia entre todos os organismos essenciais para a patinagem artística confere-me a possibilidade de poder contribuir de uma forma mais eficaz.
FPP – Como olha para o momento atual da Patinagem Artística em Portugal?
ML – O facto de ter estado cinco anos fora deu-me uma perspetiva diferente, um olhar de fora para dentro: temos um talento bruto fora de série. Vejo uma evolução muito grande na Patinagem Livre, de forma claramente exponencial. Na Dança, apesar de termos excelentes resultados, acredito que ainda podemos fazer mais e melhor.

O compromisso da FPP foi, é, e sempre será, criar as condições ideais para que os nossos jovens atletas atinjam o seu potencial máximo onde o nosso trabalho em conjunto garanta a obtenção de um produto de extrema qualidade e conteúdo, que tenho a certeza será recompensado com os lugares cimeiros no mundo da World Skate.
Para isso continuar a ser uma realidade temos de contar com os excelentes colegas e treinadores que possuímos nas diversas especialidades. Sem o empenho de todos os agentes desportivos, nada disto foi, é e será possível.
FPP – Quais são as principais prioridades nesta nova função?
ML – Não estou aqui para mudar, mas sim para melhorar, motivar, uniformizar e consolidar a imagem da disciplina. Identifico uma oportunidade para aproximar a formação de juízes e treinadores.
Para que Portugal continue a ser uma referência, é fundamental que todos falem a mesma linguagem e tenham acesso ao mesmo nível de conhecimento, garantindo um desenvolvimento consistente e eficaz. Como disse, falarmos a mesma língua é absolutamente fundamental.

Uma das minhas prioridades e que faz todo o sentido é de avançar com a criação de um Centro de Treino de Patinagem de Elite que terá como objetivo principal, desenvolver e potenciar atletas através de um acompanhamento mais completo e científico, dando sustentabilidade ao seu talento.
FPP – E ao nível da formação de atletas?
ML – Temos de olhar com muita atenção para os escalões de formação. São o futuro e precisam de um acompanhamento mais próximo e estruturado. É preciso preparar o que vem a seguir, reforçando o acompanhamento dos escalões mais jovens — benjamins, infantis e iniciados.
FPP – Falou também da importância da uniformização…
ML – Sim, é fundamental. Tem de haver uniformidade de critérios e entendimento das regras. Portugal tem de falar a mesma linguagem — entre atletas, treinadores, juízes e todos os agentes — para que, junto das instituições internacionais, possamos defender de forma consistente o caminho que queremos traçar para a disciplina.
A imagem não passa apenas pelo que apresentamos em pista. Passa pela atitude e grau de conhecimento de todos os envolvidos. A imagem passa pela qualidade do produto, pela forma como é estruturado, pelas suas componentes técnicas e expressivas, mas também por tudo o que envolve a nossa presença, a nossa marca visual e comportamental no contexto internacional.

FPP – Esta é a primeira concentração do ano. Que balanço faz?
ML – Muito positivo. Estamos numa fase de conhecimento e de aprendizagem. É uma equipa técnica nova, muito competente e, para mim, é também um processo de conhecer os atletas e perceber melhor as dinâmicas.
Estou a observar aspetos fundamentais, como a estrutura do treino, a forma como o atleta se apresenta e reage, assim como também a organização do trabalho entre a equipa técnica nacional e os treinadores.
FPP – Há outras medidas que pretende implementar?
ML – Sim. Uma delas é a criação de uma base de dados integrada no Centro de Treino Patinagem de Elite. Será uma ferramenta essencial para acompanhar os atletas de forma mais rigorosa, quer do ponto de vista técnico, quer físico, permitindo ter uma visão mais completa e sustentada do seu desenvolvimento, o que nos permitirá passar do plano empírico ao científico.

Liliana Andrade | Selecionadora nacional de Patinagem Livre)
FPP – Quais são as sensações após este primeiro dia de treinos da 1.ª concentração nacional?
LA – De forma geral correu tudo bem, os atletas estão focados, estamos ainda numa fase muito inicial da época, alguns atletas inclusive ainda nem tiveram nenhuma prova e, portanto, estamos a começar agora a preparar esta nova época. Penso que os atletas estão todos focados, o nível é bom, agora é principalmente trabalhar a parte da eficácia, porque os elementos estão lá, a parte técnica e a capacidade estão lá. Agora é trabalhar para melhorar a eficácia e a qualidade.
FPP – Em relação à nova estrutura técnica, qual é a visão estratégica os objetivos definidos?
LA – Em relação à equipa técnica, A equipa técnica é, na minha perspetiva, uma escolha muito acertada. Para além do conhecimento, reúne muita experiência, o que é uma mais-valia. Também ao nível pessoal existe uma boa dinâmica, e esse ambiente positivo é importante para o trabalho que desenvolvemos.

Ao nível da estratégia tal como disse anteriormente, estamos focados essencialmente em melhorar a qualidade, porque a matéria-prima temos, portanto, é melhorar a qualidade, juntamente com os treinadores de cada atleta.
Esta primeira concentração foi muito boa, não só para vermos qual é o ponto da situação em que estamos, mas também para criar já aqui alguma ligação com atletas e com os treinadores.
Andreia Cardoso | Selecionadora Nacional de Dança
FPP – Como avalia esta primeira concentração nacional?
AC – Correu muito bem, foi ótimo ver o trabalho que os treinadores e os atletas já estão a desenvolver, isso também porque temos uma competição internacional em breve, em que este ano Portugal vai participar com mais atletas, o que não acontecia nos anos anteriores.

Penso que os treinadores e atletas estão mais preparados nesta altura do ano do que relativamente aos anos anteriores, o que isso é bom, é de louvar.
FPP – Que conclusões retira do trabalho realizado e quais as perspetivas para a época?
AC – O trabalho que foi desenvolvido em aspetos de melhoria, atribuição de objetivos e diretrizes foi muito bem direcionado, portanto a equipa técnica conseguiu passar aos treinadores e atletas aquilo que era necessário e que queremos ver nas seleções nacionais deste ano.

A equipa técnica está alinhada e é dotada de grandes competências para o desenvolvimento da patinagem na especialidade de Solo Dance, que se perspetiva com bons resultados.
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