Foi inaugurado esta segunda-feira, no Pavilhão Multiusos de Paredes, o Museu da Patinagem.

Este momento institucional assinalou a concretização física de um projeto desenvolvido no âmbito das comemorações do centenário da Patinagem em Portugal e representa um espaço que celebra os 100 anos de história da Patinagem e das várias disciplinas que a integram: Hóquei em Patins, Patinagem Artística, Patinagem de Velocidade, Skateboarding, Inline Freestyle, Hóquei em Linha e Roller Freestyle.

O Museu tem agora instalação em Paredes, estando aberto ao público nos dias úteis, entre as 9h e as 12h30 e das 14h às 17h30.

A cerimónia de abertura da instalação do Museu da Patinagem contou com a presença de Francisca Neiva (Unveil, responsável pela conceção museológica), Luís Gouveia (professor e autor do Livro «100 Anos da Patinagem em Portugal»), Luís Sénica (Presidente da FPP), Alexandre Almeida (presidente da Câmara Municipal de Paredes) e Pedro Dias (Secretário de Estado do Desporto).

Uma exposição viva e flexível

Francisca Neiva explicou que o objetivo foi criar «uma exposição itinerante, que pudesse deslocar-se e adaptar-se em diversos espaços. Para isso, desenvolvemos um projeto em sistemas modulares, que permitisse não só a montagem em diversos locais, mas também a reconfiguração e reajustes. No design, «optámos por uma linha não convencional, mais alternativa, que remetesse ao movimento e ao desporto», sublinhando a ligação ao hóquei em patins através do uso de redes como elemento cénico.

O testemunho da história

Luís Gouveia recordou que «em que algumas peças do espólio e objetos de todas as disciplinas que fazem parte da nossa atividade, desde fotos a taças e outros tipos de recordações, identificadas por textos alusivos, foram exibidos pela primeira vez» e destacou que agora «está dado o segundo grande passo, aqui em Paredes, escolha acertada para a montra possível de um pedaço da nossa história».

Um espaço de memória e orgulho

Avisando que iria falar «com o coração e de improviso», o presidente da FPP, Luís Sénica, começou por agradecer ao presidente da Câmara de Paredes «pela abertura, visão, amabilidade e facilidade com que as nossas conversas são feitas e pela perceção deste pedaço de história, que está num sítio digno: um pavilhão municipal, desportivo e eclético, onde se vive a atividade desportiva».

Luís Sénica, destacou a relevância da inauguração, classificando o Museu como «um espaço humilde, mas de grande dignidade», que tem como missão «respeitar a história e o passado». «A história respeita-se desta forma, com humildade. Este é um espaço humilde, mas de grande dignidade que representa aquilo que, durante 100 anos, esta casa fez».

Sénica sublinhou ainda que «era a altura de termos algo digno, algo que nos pudesse orgulhar», e respeitar a história e o passado: «Foi isso que tentámos fazer e é isso que está aqui representado».

«Esta é uma das disciplinas com mais títulos em Portugal»

Num discurso marcado pela emoção, Luís Sénica frisou a importância de perpetuar a identidade da modalidade «e fazê-lo com humildade, para sermos mais capazes de continuar a fazer história» e «em reconhecer que esta é uma das disciplinas de maior dinâmica e com mais títulos em Portugal. Que não é uma disciplina, hoje, só do Hóquei em Patins. Que é uma disciplina da Patinagem Artística, da Patinagem de Velocidade, do Skateboarding olímpico – e por isso somos olímpicos também com muita honra-, do Inline Freestyle e do Roller Freestyle».

Recordando ainda a visão de Rogério Futsher, o presidente da FPP frisou que «viemos para ficar. Não viemos para ser qualquer coisa de espontânea e qualquer coisa que vai, como as modas, desaparecer. A nossa modalidade não é uma disciplina de moda, é uma disciplina de carácter, é uma disciplina cultural, é uma disciplina dos portugueses e que nos honra em toda a linha».

Paredes como «uma casa para Patinagem»

O edil Alexandre Almeida manifestou grande satisfação em acolher a iniciativa, sublinhando a ligação do concelho à modalidade: «Tivemos sempre muita prática de hóquei em patins em Paredes, com várias equipas nos campeonatos nacionais, e temos apostado muito também na Patinagem Artística».

«Dizer que desde o primeiro momento em que o Sr. Presidente da FPP falou desta ideia, aquele espaço que vimos que poderíamos ceder, fizemo-lo. É um espaço humilde, mas é um espaço que está num edifício que nos diz muito num pavilhão que foi inaugurado com o campeonato europeu de hóquei em patins na altura da pandemia». 

Considerou ainda que o espaço «vai ter vida», dado o movimento diário do Multiusos e a proximidade às escolas, garantindo que o município «tudo fará para cuidar e tratar este património com a maior dignidade possível».

Memória e orgulho

O Secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, começou por recordar a sua primeira experiência com a exposição: «Dois dias depois da minha tomada de posse, estive presente no Centenário da Federação de Patinagem de Portugal. Esse foi o primeiro evento em que eu estive oficialmente e tive contacto com esta exposição».

Pedro dias destacou a importância da memória para qualquer organização: «Dar-vos nota de que uma organização sem memória é uma organização sem história. Sem dúvida alguma que esta é a primeira nota. Todos nós, dos mais velhos aos mais novos, temos no nosso imaginário, a Patinagem que tem, no nosso país uma penetração muito forte a todos os níveis».

«E é, sem dúvida alguma, essa penetração que tem na nossa sociedade, que faz dela e que tem ajudado a Patinagem — independentemente das dificuldades que em vários momentos todas as modalidades têm —, mas a Patinagem tem conseguido transformar-se e crescer imenso».

O secretário de estado recordou ainda momentos pessoais ligados à modalidade e referiu que este Museu «é um tributo muito sério que é prestado a todos aqueles que contribuíram em mais de 100 anos de história desta Federação».

Passando da memória para o orgulho, Pedro Dias realçou ainda o crescimento da Patinagem: «É um orgulho para Portugal ter naturalmente modalidades desportivas que tenham, ao longo do seu trajeto, tido este desempenho, este compromisso»

Relembrou ainda que, numa visita oficial à FPP, comentou com o presidente Luís Sénica «que tinha tido uma experiência quando era muito jovem no hóquei em patins. Passados uns dois minutos, entregaram-me a minha ficha de atleta federado na FPP. E é esta memória, é este respeito que faz crescer as organizações e é um orgulho muito grande, naturalmente, termos federações com este passado, com o presente que têm e com o futuro que vão ter seguramente».

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